Thursday, June 6, 2013

Unindo Forças!!

          


          Pessoal, alguns de vc`s já sabem, mas no último mês uni forças com meu amigo Paulo May e passamos a escrever juntos no blog Louco Por Guitarra. Já fazia um tempo que conversamos sobre isso e resolvemos efetivar a mudança para centralizar a informação num único repositório e ficar mais fácil para todos nós!

Obrigado a todos que acompanharam o JR Guitar Blog nesse tempo, e nos vemos no Louco por Guitarra!
 
 
                   
 
 
Abraço!
 
Júnior!

Thursday, January 3, 2013

Pontes, cordais, saddles e timbre - Parte 3

Chegando talvez ao post final sobre esse assunto vamos falar da criação mais famosa (e talvez a melhor) de Leo Fender, a Stratocaster. Sem dúvidas a ponte tremolo da Strato é a mais complexa das abordadas até agora. Tem mais partes, requer mais precisão da regulagem e sem dúvida a que contém mais variantes no mundo guitarrístico moderno com vários modelos desde o vintage original até modelos mais modernosos como os Wilkinson VS100 e considero que até a FloydRose foi concebida a partir do design inicial da ponte da Strato.
 
Falando do que interessa que é o timbre, a ponte da Strato tradicional é composta por basicamente 3 partes chave que são os saddles, o bloco e o plate (onde são fixados os saddles e o bloco). Todos esses tres fatores influenciam no timbre de madeira direta ou indireta e contribuem para o resultado final do som, podendo ser modificados de acordo com o que se procura de resultados. Os saddles e o bloco são os mais comuns e fáceis de modificar com resultados mais audíveis. O plate depende mais da qualidade inicial da ponte e eu diria que é a parte que menos influe, mas discutiremos isso abaixo.
1 - Saddles
Os saddles originais da Fender dos anos 50 eram feitos de Aço (Cold Rolled Steel) e produzem um som com ataque rápido, "punch" e um certo brilho que se tornaram característicos da Strato clássica e equipava a Stratocaster até perto dos anos 70. Com a CBS atuando para reduzir custos, e consequentemente o início do "periodo negro" da Fender nos anos 70, as pontes começaram a ser produzidas com materiais que permitissem uma produção com custo reduzido. Esse material é uma liga metálica conhecida popularmente como ZINCO, mas que possue várias nomenclaturas e composições. No final das contas esse material é incrivelmente fácil de manipular, pois em sua forma liquida é possivel usar moldes e fabricar centenas ao mesmo tempo, mas o resultado é um metal que não tem a mesma rigidez mecânica do aço. Com o aço, é preciso usinagem e manipulação manual o que torna o processo todo mais caro o que explica a opção da CBS nesse período. Já nos anos 80, a Fender começou a usar uma liga a base de Alumínio como outro material nos saddles, mas eu nunca entendi realmente a razão oficial, mas acredito que seja pelo fato dessa liga ser mais fácil de manipular que o Aço, mas não comprometa tanto a sonoridade quanto o Zinco.

Mas qual a sonoridade associada a cada material? É difícil colocar em palavras características sonoras de tunagens pontuais pois normalmente é uma soma dos fatores que fazem mais diferença no timbre final, mas é importante ter uma idéia do efeito que elas geram para que possamos buscar nossas nescessidades. Vou tentar descrever um pouco baseado nas experiências que eu tive com os 3 tipos de materiais descritos, lembrando que dependendo dos outros componentes da guitarra (madeiras, cordas, bloco e etc) podem haver variações.

  • Saddles de Aço são os mais rígidos mecânicamente e possuem teoricamente as melhores propriedades físicas para transmissão de vobrações de corda. Os graves ficam firmes e os médios ganham definição e corpo com agudos presentes que não soam estridentes. Numa guitarra de Alder parece ser o casamento perfeito e singles soam com punch e resposta rápida ao toque com o estalo definido de uma boa Stratocaster.  São realmente os meus preferidos para Strato.

  • Saddles de Liga de Alumínio tem graves um pouco mais soltos e médios mais retraídos em relação ao Aço com um pouco mais "ar" no timbre. Essa leve atenuação do ataque pode ser interpretada como mais agudos, o que não nescessariamente é a verdade. Guitarras com característica sonora mais "seca" e/ou grave podem se beneficiar deles para amaciar um pouco o timbre final. Encontrados nas Squier Std (Indonésia), Fender Am Std (anos 80 e 90) e algumas outras.


  • Saddles de Zinco são os mais comuns nos instrumentos chamados de "entrada" das marcas e também encontrados nos de origem asiática como SX, Shelter, algumas Squier, Cort etc. Sendo o de menor resistência mecânica, o Zinco tende a absorver mais vibrações da corda causando uma transmissão não tão eficiente ao resto do conjunto o que acaba "amaciando" de certa forma o som. Os graves e médios ficam um pouco menos definidos e o agudo parece desconectar do resto das frequências. A percepção que eu tenho é que soa abafado com uma leve sibilância no topo dos agudos. São fáceis de identificar pois norlmanente são cromados e as cordas marcam com facilidade o lugar onde ficam apoiadas.

2 - Bloco

 O bloco é responsável por dar massa e resistência mecânica ao conjunto do tremolo e assim fazer com que as cordas vibrem e a ponte transmita isso ao corpo e etc. Por essa razão a resistência mecânica do material utilizado na fabricação e a massa tem um importante papel nesse componente que é um pouco mais complexo do que muitas vezes parece e também sofreram mudanças de acordo com o período da mesma maneira e por razões semelhantes as dos saddles. Os blocos grandes e pesados de aço que equipavam as primeiras Strato dos anos 50 e 60 tinham grande papel sobre sua sonoridade como vamos discutir mais a diante. Já nos anos 70, a CBS passou a utilizar os blocos de zinco já menores e mais fáceis de fabricar, visando redução de custos novamente. Não é a toa que muitos consideram esse (anos 70) o período negro da história de Fender. Nos anos 80 e 90 o bloco é adaptado e otimizado para utilização do tremolo, sofrendo redução de tamanho porem ainda fabricado de uma liga metálica, já melhor que o zinco, porem não tão eficiente quanto o Aço dos anos 60. Vamos ver as particularidades de cada modelo.
    
    Bloco de Aço Vintage
  • Bloco 'Vintage' de Aço é o presente nas primeiras Strato. Eram pesados e grandes limitando a utilização do tremolo mas garantiam uma eficiente vibração das cordas pela alta resistência mecânica. Outra característica importante, é que as bolinhas da corda ficavam rentes a parte debaixo do bloco fazendo com que a corda se esticasse por toda a extensão do bloco antes de passar pelo plate e chegar ao Saddle. Nos blocos modernos a bolinha entra no bloco e fica fixada mais perto do meio do mesmo. O efeito disso é que no bloco vintage, o comprimento da corda tensionada tem cerca de 5cm a mais o que gera uma maior tensão para que ela chegue a afinação. Essa maior tensão deixa os graves mais firmes e definidos e aumenta um pouco o ataque, e é tido como uma das razões pelo timbre único das Stratos Vintage.

  • Bloco Moderno é o presente nas Fender American Standard mais atuais. São feitos de uma liga metálica de boa resistência próximo ao aço. O tamanho foi reduzido na base visando a utilizaçào da alavanca e o comprimento de corda reduzido (bolinhas fixadas no meio do bloco). O conjunto ficou mais leve e a redução do comprimento de corda faz com que as cordas fiquem com menos tensão dando a sensação de mais maciez no tocar e deixam o som levemente mais macio também. 

Bloco Moderno

  • Bloco de Zinco é o que equipa a grande maioria das pontes de origem asiática com custo reduzido. Claramente feito para custar pouco, cumpre seu papel para um instrumento barato que não tem pretensões de soar com as nuances de uma Strato vintage. 

  • Bloco de Latão é uma variante que acredito não tenha chegado a estar presente nas linhas de produção da Fender (por favor me corrijam se esta informação for equivocada :-) ), mas consta como um dos possíveis upgrades para a ponte de Strato. O latão tem boa massa e gera um timbre mais macio em relação ao aço. Parece que o ataque não fica tão imediato e rápido, dando uma sensação de "sag" no tocar. É uma boa alternativa caso vc tenha aquela Strato de SwampAsh mais arisca e aguda.


Ok, muita teoria bonita mas e o som mesmo? É possível ouvir as diferenças? Eu digo que sim, pois já testei todos os modelos que escrevi nesse post. As diferenças muitas vezes são sutis e dependendo do seu setup de quipamento (Samp, pedais, captadores e etc) mas elas existem e fazem diferença. Me peguei várias vezes durante a pesquisa do timbre de Strato falando sozinho e dizendo:  "O timbre está bom, mas está faltando aguma coisa....". Esse alguma coisa pode justamente ser uma ponte BOA para enfatizar aquele ataque, aquela nuance que você não sabe exatamente o que é, mas sabe que está faltando. Parece papo de maluco, mas você guitarrista que gosta de timbres sabe do que eu estou falando! :-) Basta uma rápida pesquisa no google e nos forums internacionais e nacionais.

Quando estava pesquisando sobre Strato achei um site muito legal que fala sobre esses upgrades de Strato e etc. O areyouexperienced.net contém várias mods de Strato incluindo uma em que o autor faz o upgrade de Saddles e Bloco em uma de suas Strato, gravando o antes e o depois de maneira bem interessante. O site está em inglês, mas você pode conferir essa metéria aqui.


Vários fabricantes já dispões de saddles e blocos para reposição e tunagem de Stratos. A GuitarFetish , já conhecido do públcio brasileiro pelos captadores GFS, possui uma linha acessível de blocos com especificação vintage em seu site, bem como saddles de aço e conjuntos inteiros de tremolo já com upgrades. Outra empresa muito aclamada nos EUA é a Callaham Guitars ( http://www.callahamguitars.com/ ) que fabrica réplicas de Strato e Tele excepcionais bem como todo o hardware nescessário como pontes, tarrachas, e tudo mais. Eu tenho a ponte de Strato e de LesPaul da Callaham e o produto, embora caro, é de extrema qualidade e o upgrade sonoro foi audivel nas minhas guitarras. Seguem duas gravações que eu fiz quando dos upgrades:


Aqui gravei um sample com o bloco de Zinco:

Mesmo setup com bloco Callaham:
                                                    



Se você procura o som vintage de Strato, aquele estalado inconfuncível dos captadores SingleCoil com corpo e sustantação que ouvimos em inúmeras gravação mesmo com toda a evolução e tecnologia aplicada nos instrumentos modernos, nada ainda bate a ponte vintage de Strato. Parece que o bloco de aço com as bolihnas fixadas na base e os saddles estampados de aço são parte integrante do timbre marcante e cheio de personalidade desse instrumento que mesmo depois de 60 anos de existência permanece imortal. Leo Fender acertou em cheio nesse projeto!!

Grande abraço e um feliz 2013 cheio de timbres e bons sons !!

Junior

Tuesday, October 23, 2012

Pontes, cordais, saddles e timbre - Parte 2


FINALMENTE, estou tendo um pentelho de tempo pra postar novamente. Juro que eu adoro fazer isso aqui, mas ultimamente a coisa tem estado feia, mas vamos lá.

Continuando a saga das variações de timbre causadas por pontes e etc, talvez o post de hoje seja o que esse componente representa a maior variação tonal dente todos. Estou falando da mãe de todas as guitarras sólidas, criada no início dos anos 50, a Telecaster. Um dos meus passatempos preferidos tem sido a pesquisa de timbres da Fender. Strato e Tele tem tomado muito das minhas pesquisas sobre como o e da onde os timbres clássicos são gerados. A Telecaster é incrívelemnte versátil e pode gerar uma infinidade de timbres diferentes com as mais diversas aplicações que vão literalmente do Country ao Metal! A simplicidade da Tele talvez seja também sua maior complexidade. Da onde vem o Twang Clássico? Quais as variáveis? Madeiras do corpo e braço? Captadores? Tarrachas? Ponte? A resposta é.... TODAS AS ANTERIORES, mas hoje vamos nos atentar somente a importância da ponte nessa confusão toda.

Senta que la vem a história.....

Fazia muito tempo que eu brigava com a minha Tele. Desde que ouvi a tele do meu amigo Paulo May (Blog Guitarra99 que vc's conhecem bem) eu achava que a minha era estranha e não chegava nem perto do som que eu considerava ideal. Cheguei a dizer pro Paulo que ele nunca ia gostar de uma tele de Alder, pois não tinha nem de perto o timbre das Teles que ele estava montando.

Essa em questão, é uma Tele Mexicana ano 99 que que foram feitos os chanfros de corpo e apoio de braço de Strato e toda repintada num azul metálico que é característico das teles nos anos 60. Quando a comprei, era tudo o que eu queria, pois as quinas da tele me incomodam, e esse azul era uma das minhas cores preferidas. Ela tinha um par de Seymour Quarter Pounder para Tele que pensei, troco e pronto!

A realidade não foi bem assim. Experimentei de tudo nessa guitarra e ela só falava legal com Humbuckers Dual Blade na ponte. Testei os dois do Sergio, True Vintage e Vintage Hot, dois Seymour Duncan sendo um Antiquity 55 e um Vintage for Broadcaster, Fender Texas Specials e nada do Twang aparecer.

Depois de muita pesquisa, essa semana achei um artigo do mestre Bill Lawrence que dizia sobre os materiais das pontes de Tele e diferenciava-os em ferrosos e não ferrosos. Os ferrosos (onde o imã gruda) intereferem diretamente no campo magnético do captador de ponte, alterando a inductancia, aumentando a capacitância (mais metal) e portanto influindo diretamente no som do mesmo.

Juro que pensei Será? Vai ver é o mesmo efeito "sutil" das pontes de Strato com e sem bloco etc. Muda mas não drasticamente.

Pesquisando um pouco mais me deparei com o seguinte parágrafo do nosso querido Seymour W Duncan:

Using single-coil pickups in a ferrous bridge plate will expand the magnetic field from the pickup, giving the guitar a unique, classic sound.
Using the same pickup in the stainless steel plate will prevent the magnetic field from expanding, which gives the pickup a brighter, clearer tone.
Using the Joe Barden-style or any type of aftermarket rail pickup will not work as well when usig the traditional ferrous plate, because the plate attracts two opposite magnetic fields (North magnetic field and South magnetic field) and the combination interferes with the quality and efficiency of the pickup. Rail-type pickups work better using nonmagnetic stainless steel or brass plate.
I don't like using brass for a Telecaster bridge plate because it changes the tone. Check the material of the plate, since they are usually nickel, chrome, or gold-plated.
For a traditional Telecaster tone, make sure the plate is ferrous (a magnet will stick to it).


Ok, dois mestres dizendo eu tive que pagar pra ver.

Fiz o teste na minha Gotoh mondern com 6 Saddles e o Imã não grudou no plate, mas grudava nos saddles. Comclusão, material não ferroso no plate e saddles de Aço. No artigo o Bill Lawrence comenta que esse magnetismo da ponte vintage não é legal pra captadores humbucker tipo dual blade, e que um plate não ferros é mais apropriado pra esse tipo de pickup. Não é a toa que ela falava bem com humbuckers....

Artigo do Bill Lawrence

Fui atrás de uma ponte vintage, saddles de Latão. Exatamente ao contrário do que eu tinha na minha. Achei uma Wilkinson by Gotoh Vintage. Fiz o teste e positivo, o Imã grudou no plate. Coloquei o True Vintage Sergio Rosar, e gravei aquela primeira leva de samples.


Clean:

Crunch:




Instalei a ponte vintage , com o mesmo True Vintage Sergio Rosar, afinei e com duas notas eu havia achado o timbre. Os médios que eu tanto queria estavam lá. O DNA da guitarra estava alterado, tanto que gravei o segundo set de samples pra ter certeza que a mudança tinha mesmo sido tudo aquilo, e não só eu percebi como todos que ouviram perceberam as mudanças! 


Clean:
Crunch:




A variável da equação que eu não estava considerando era justamente a que faltava pro timbre que eu estava procurando. 


Conclusão, agora minha tele estava soando como eu sempre quis que ela soasse. Ficou um meio termo entre uma Country Twanger e rispidez agressiva de uma tele rocker!


Resumão de ponte de Tele:

Plate:
Aço Ferroso (Imã gruda): Twang Clássico, ataque com característica mais "Tóin", com agudos mais redondos devido a interação do magento do captador com a ponte que aumenta sua inductância. Ótimo para se obter os timbres clássicos do Twang Country. Jerry Donahue é um ótimo exemplo dessa sonoridade. 

Latão: Timbre mais seco e ataque mais preciso e sem interação magnética. Ótimo pra sons com maior dose de ganho e uso de captadores mais fortes como humbuckers por exemplo. As Fenders American Std todas vem com esse plate de latão e Keith Richards usa-a até hoje em todas as suas Teles! 

Saddles:
Latão: Ataque mais preciso e sequinho, com tendência de segurar agudos. Junto com o plate de Aço, faz a combinação clássica da Tele 52 amarelinha. 

Aço: Introduzido em meados dos anos 60, produz um som com mais conteudo de agudos e mais PUNCH, sendo novamente ótimo para sons com drive pela maior definição sonora. Novamente é a escolha da Fender para a American Standard, numa concepção mais moderna dos sons de tele!


É realmente incrível e fascinante como de novo um pouco de pesquisa e informação conseguem transformar
uma guitarra normal e um ótimo instrumento!!




Thursday, May 17, 2012

Pontes, cordais, saddles e timbre - Parte 1

Durante meus inúmeros experimentos de captadores buscandos os timbres que tenho na minha cabeça, por muitas vezes me sentia em um beco sem saída em que eu já havia tentado de tudo (ou quase tudo) na parte elétrica da guitarra e não conseguia chegar no timbre que eu queria! E olha que eu sou insistente! De repente parece que aquela porta trancada no fundo do beco se abria e a lovoiura estava salva quando colocava uma ponte diferente. Parece que a guitarra toda era outra e aquele som que eu queria tanto, aparecia com todas as suas nuances. Pode parecer exagero, mas em alguns casos a diferença é bem brutal, em outros é só aquele pelinho, uma presença extra, um pouco mais de grave, uma ênfase nos médios que podem ser a diferença êntre você gostar muito de  um instrumento ou ele se tornar simplesmente mais um.

Desde que eu apanhei (e muito, mas conto melhor em outro post) de uma tele e descobri a complexidade e variantes do assunto, estou para escrever sobre esses pedacinhos de metal que equipam nossas guitarras. A unidade da ponte (com seus componentes) são um dos principais pontos de transmissão da vibração das cordas para o corpo e por incrível que pareça o material utilizado na sua construção tem grande peso na equação que resulta o timbre final de um instrumento. Pode-se utilizar a grande variedade disponível no mercado para realmente "tunar" de maneira bem precisa o resultado final.

 Nesse post vamos falar de um item que é um acessório das pontes modelo Tune-o-Matic introduzidas em 1955 pela Gibson nos seus primeiros modelos com Humbuckers, o chamado "cordal" ou Stop-Tailpiece que é nada mais que a peça que segura as cordas numa LesPaul. Mas isso influi no timbre? É o que vamos ver!
A ponte ABR-1 ou Tune-o-Matic foi uma revolução no mundo guitarristico em meados dos anos 50 pois substituia a ponte WrapAround (veja imagem abaixo) permitindo o ajuste fino da intonação das oitavas do instrumento, coisa impossível no modelo anterior. No novo modelo, essa ponte passou a servir de apoio ou base para segurar as cordas, que são apoiadas numa segunda unidade para depois seguir para a escala, mas mesmo assim tem um importante papel na sonoridade e estabilidade do conjunto.
              

Uma vez que o crodal não fica exatamente entre a ponte e o nut, que é onde a maior parte das vibrações da corda acontece, seria lógico pensarmos que ele não influi no timbre de maneira significante, e não tem GRANDE diferença mesmo, mas ela existe.

Nas primeiras LesPaul essa peça era fabricada de Alumínio, um materia de boa rigidez mecânica e extremo baixo peso mas que era de difícil produção em larga escala, por exigir ajustes manuais das arestas depois que saia da usinagem, encarecendo o processo para a Gibson. Atualmente os cordais da Gibson USA de produção são feitos de ZINCO, um material de fácil manipulação industrial e boa resistência mecânica que segurava as cordas tanto quanto o alumínio mas que tem propriedades diferentes, sendo mais pesado e duro. Vale nota que todas as Re-edições da Gibson Custom Shop das guitarras dos anos 50-60 vem com cordal de alumínio.

Mas qual a diferença no timbre então? Simples e direto, a guitarra com cordal de Alumínio gera um timbre acústico mais aberto, com mais presença de agudos e mais "ar" acústicamente. O cordal de ZINCO possui um timbre de alguma forma mais fechado, com menos agudos acusticamente. Parte dessas característica é sim captada pelos captadores, mas é importante ressaltar que os captadores de baixo ganho são os que mais perceberão as diferenças e um monstrinho de alto ganho provavelmente passará batido.

Não tenho exata certeza do por quê isso acontece, mas acho que as cordas fazem o conjunto todo da ponte ABR-1 + cordal vibrar junto com o corpo, e por isso influencia no som. É bom salientas também que existem muitas qualidades de ZINCO. Notei diferenças no ataque e no timbre de um cordal original de Epiphone ao substituí-lo por um também de ZINCO da GOTOH que era mais pesado e bem acabado. A ponte também foi trocada e o conjunto todo ficou muito melhor. A diferença de precisão do timbre, rapidez da resposta no ataque tudo melhorou.

O Paulo May do blog Louco por Guitarra já havia me alertado sobre as diferenças do cordal e disse que preferiu o de ZINCO na sua Gibson LesPaul Standard 1981 por achar que o som do Alumínio ficou meio magro. Na minha Gibson LesPaul Traditional eu gostei do som do Alumínio e deixei assim, mas uso o de Zinco na minha Epiphone JoePerry e na minha Gibson Tribute 50.

Qual o melhor? Você quem decide! rsrs! Se você acha que sua LesPaul soa grave demais e precisa de um pouco mais de ar no timbre esse pode ser um upgrade que você pode experimentar. Deixe seus ouvidos decidirem!

 O Paulo havia me enviado umas gravações que ele fez com a guitarra dele, mas achei esse vídeo com demosntrações das duas opções no YouTube e ele traduz de maneira um pouco mais clara as diferenças dos dois. Notem a maior abrangência de frequências do Alumínio especialmente no Clean!! No ganho um pouco mais alto elas vão diminuindo bastante. É exatamente o que eu ouço aqui!


Como eu disse anteriormente, conhecer essas variáveis que podem parecer mínimas as vezes podem ser a diferença entre você chegar no timbre que tanto procuramos. Pelo menos experimentar é bastante divertido!!

Saturday, February 25, 2012

Lindy Fralin Blues Specials e Sergio Rosar Blues


Algum tempo depois de começar a estudar a compreender sonoridades, testar captadores e guitarras virou um vício difícil de controlar e a pesquisa por diferentes designs e técnicas de construção afim de obter-se um som específico não tem fim. Isso já me levou a testar quase toda a linha da Seymour Duncan, uma grande parte dos DiMarzio, todos os modelos (lançados e não ) do Sérgio Rosar, todos os singles da Fender, etc. Com o tempo essa coisa toda vira uma espécie de biblioteca sonora, e que ajuda muito na hora de alcançar um certo timbre.

Pois bem, eis que em uma das minhas caminhadas pelas lojas de música de Curitiba, revendo amigos e batendo papo vi em uma vitrine um set de singles com capinha "Old White". Quando perguntei ao Carlos (Loja do Músico) o que era ele me disse que era um set de Lindy Fralins Blues Specials.

Abrindo um parênteses, Lindy Fralin é um dos mais renomados Pickup Winders dos Estados Unidos e é extremamente famoso pelos seus singles, tanto para Strato como para Tele. Vale a pena dar uma conferida no site www.fralinpickups.com , onde ele tem videos e especificações de seus modelos.

Os Blues Specials estão entre os modelos mais famosos de Lindy Fralin, conhecidos pela sua clareza sonora, complexidade harmônica e timbre mais "gordo", que o próprio Fralin define como ideal para solistas melódicos. Não é a toa que esse set leva esse nome. Como eu nunca havia testado um set do Lindy, e não se acha esses pickups por aqui, num acesso de G.A.S. comprei os bichos.

Chegando em casa, maluco para escutar o que eles realmente falavam ( e verificar se são mesmo tudo aquilo que os Forums gringos clamam) tirei-os da caixa de instale-os na minha Strato de ASH com braço e escala de Maple, onde estava um set de Sergio Rosar Blues. O Blues Specials é feito com magnetos de Alnico V, e fio Plain Enamel 42AWG tenho perto de 6k nos caps do braço e meio e quase 7k na ponte. Essas especificações são características da famosa era 60s da Fender, especialmente pré-CBS até 63, com aquele som característicamente mais "gordo" e com mais ataque e estalo que as dos anos 50. Se você pensou em Stevie Ray Vaughan você acertou em cheio. Sua Number #1 mais famosa, era uma Strato 62.



O fio Plain Enamel, possui características muito peculiares de condução e capacitância do isolamento que interferem diretamente na sonoridade do captador. Técnicamente é um fio "inferior" aos modernos fios esmaltados, e é justamente essas falhas que fazem ele ter essa característica tão peculiar. É facilmente identificado pela colocação mais escura, meio marrom e as vezes avermelhada:






Instalados, guitarra afinada pluguei no meu amp e toquei as primeiras notas. O som era mais ou menos o esperado das especificações, um timbre focado, com ataque bem definido e amplo, graves firmes um pouco menos de agudos e mais força que um single tradicional como o Seymour SSL-1 por exemplo. Em comparação ao Texas Specials (famoso por vir na Fender SRV) ele soa bem mais claro e articulado, com menos informação de graves e um pouco mais de agudos que dão ao som uma compressão muito bonita e agradável. Com drive ele mostra sua cara MUITO bem, com muita definição e sem quase nenhuma magreza que alguns singles tradicionais como o 57/62 as vezes podem apresentar, e de novo remetem ao bom e velho SRV (especialmente se usarmos um Tube Screamer para isso). Nada de timbres cristalinos de Fender por aqui, eu diria que eles são sinônimo de timbres gordos de Strato, com corpo mas mantendo toda definição dinâmica e articulação tão essenciais para os Strateiros de plantão.

Gravei a introdução de Texas Flood rapidamente pra vcs poderem ouvir o que eu escrevi:




Tudo isso já era esperado e batia com o que eu havia lido em todas as reviews deles em Forums etc. O que eu não esperava era que eles soassem TÃO PRÓXIMOS ao set Blues do nosso mestre Sergio Rosar que estavam na mesma guitarra. Pra falar a verdade, só saberia diferenciar mesmo pois eu mesmo havia trocado os captadores, tanto que gravei exatamente a mesma frase na mesma guitarra com o Rosar Blues pra ouvir A/B e tirar a prova:






Abrindo mais um parenteses, o Blues (Assim como a maioria dos pickups Rosar) tem construção moderna e completamente diferente do Blues Specials especificamente, usando fio Polysol modernos que são o estado da arte em termos técnicos. Geram baixíssima capacitância e alta conductividade características que tem pouca perda de sinal ao longo da bobina, mas que em termos de som pode significar mais agudos e um som mais Hi-Fi. Se esses fatotres não forem levados em conta na confecção dos pickups a fim de serem tratados corretamente podem resultar em um som agudo e "harsh". Sorte nossa que o Sérgio é extremamente perfeccionista, e conhece muito bem o material com que trabalha sabendo lidar com ele para obter o máximo possível.











As diferenças são muito pequenas. O Rosar tem ainda mais força e poder de fogo, com um pouco mais de informação de médio-graves que o Fralin ainda retendo toda a clareza e definição. As pontas da EQ Blues são um pentelho mais amplas também, ou eja, graves e agudos um pouco mais arejados (olha o DNA Rosar aí..), que equilibram com a força maior do Blues.

Conclusão:

Não consegui ouvir nada nos tão aclamados Fralins que fosse estupidamente superior aos nossos Rosar e falo sem a menor sombra de dúvidas que estão no mesmo nível de sonoridade.

Alguns podem gostar da resposta mais mansa do Blues Specials, enquanto outros vão amar a leve agressividade do Blues, mas fato é que ambos são captadores fantásticos, que cumprem o que prometem, um timbre gordo e claro com ótima definição e corpo sem embolar ou soar abafado. Absolutamente tudo o que eu comentei e observei nos Blues Specials se aplicam ao Rosar Blues.

Conhecendo o Sergio, e sabendo de sua ânsia em oferencer NADA alem do perfeito, não deveria me surpreender em constatar a excelencia de mais um de seus modelos!

Se vc é adepto de uma Strato mais gordurosa, o Sérgio Rosar Blues te fará uma criança muito feliz. Seu bolso também vai suspirar aliviado !

Wednesday, January 18, 2012

Stratocaster: Captadores de ponte.... Parte 2

O Rock Surf 43 é um captador desenvolvido pelo mestre Sérgio Rosar com o intuito de replicar a sonoridade característica da Surf Music dos anos 60 (pense no ataque de uma Jaguar) e não clonar de nenhum modelo existente.



Para desenvolver o ataque na linha de médios bem característico do estilo, o Sérgio utilizou o fio 43Awg (que é mais fino que o tradicional 42AWG), aumentou o número de espiras na bobina e deixando-a mais próxima do centro magnético, gerando um campo que favorece o ataque de médios. O resultado é uma sonoridade que mantém o bom DNA de um single de strato, mas com mais carne e força sonora. O que eu não sabia é que ele se destacaria tanto na posição de ponte, e viria a ser minha opção #1 dessa posição.
Os quase 10k de resistência DC, inductância de 4.3H (quase o dobro de um single clássico) e um pico de ressonância por volta de 4kHz (o famoso Seymour SSl-1 tem pico de 10khz), me dizem que ele tem mais potência, mais corpo e soa menos estridente que um single clássico. Em linhas mais gerais ele se assemelha com o SSL-5 mas tem um foco de ataque numa linha médio-aguda da EQ e um gaves mais compactos e em menor quantidade. Isso garante ao RockSurf 43 a definição e clareza de um single clássico sem soar estridente e ao mesmo tempo um pouco mais de corpo em situações com algum ganho. A sonoridade fica quaaasseee (eu disse quase) na linha de uma tele, justamente pela faixa de médios e ataque acentuado.

Em situações ao vivo ele fatia a banda no meio e acerta a plateia em cheio sem muito esforço, soando definido e agradável. Solos e bases rockeiras falam de maneira muito legal e até algum twang aparece caso você encarne o Frusciante numa gig.

Para fins comparativos, gravei as mesmas frases do SSL-5 do post anterior com os mesmos setups para que as diferenças sejam mais claras:

Clean:


Crunch:



Resultado: Se você quer um pouco mais de ataque de médios e corpo sonoro na posição da ponte? Equilibrar sua strato com singles de baixo ganho mantendo ao máximo a sonoridade clássica? O RockSurf 43 do Sérgio Rosar é uma excelente saída!!

Thursday, January 12, 2012

Trabalho Custom Shop...

Pessoal, vim aqui pra dividir com vocês uma guitarra verdadeiramente CustomShop. Ela faz parte de uma série de 4 guitarras encomendadas na Castelli e que quando ficam prontas são verdadeiras obras de arte...

Essa em especial é um modelo do Suhr, feita em freijó com esse acrílico espelhado no top, marcações e headstock. Os captadores são SeymourDuncan Blackouts.

Tirei 3 fotos pra tentar mostrar o apelo visual dessa bela guita! O Denílson, responsável pelas regulagens e elétrica na Castelli, que esta segurando a menina!




Saturday, January 7, 2012

Stratocaster: Captadores de ponte.....

Por muitas vezes vejo guitarristas desgostarem do som da posição da ponte de Stratos. Uns acham muito magro, outros muito agudos, outros sem grave, e assim por diante.

Eu particularmente gosto do "timbre" clássico da posição da ponte mas concordo com todos os que acham que o excesso de brilho e falta de carne pode ser uma deficiência dependendo do tipo de som que se deseja.



A solução que eu particularmente gosto é de usar um single mais parrudinho e com um pouco mais de ganho e "fio" pra dar só um Q a mais de graves e médios e trimar um pouco dos agudos
retendo grande parte do DNA clássico de strato. Existem também os montrinhos de uma bobina, de ganho tão alto e extremo que chegam a soar abafados e quase sem ataque. Tudo bem se você toca numa banda de Punk, mas não estou me referindo a esses aqui, por isso usei a expressão "mais parrudinho".

Pois bem nesta categoria existem várias opções, mas com certeza o mais famoso é o nosso amigo "Seymour Duncan Custom for Stratocaster". David Gilmour o escolheu para a sua BlackStrat lendária e o " SSL-5" ganhou o mundo como "o" captador de ponte para Strateiros que querem engordar um pouco seus instrumentos. Com 12.5k com Alnico V e fio mais fino (43 AWG provavelmente) o campo magnético desenvolve potência suficiente para gerar médios mais cheios, graves mais soltos e presentes e arredondar os agudos (pico de ressonância perto de 5Khz, metade do seu irmão SSL-1 com 10Khz) mantendo o ataque tradicional de single. Isso faz com que ele peça pra ser acionado em situações de baixo-médio ganho em bases de Blues e Rock Clássico, e puxa sua Strato pra frente do Mix de qualquer banda barulhenta. Ele fica exatamente no meio do caminho de um single vintage (Fender) e um monstrinho super bombado (Seymour Quarter Pounder) e dependendo da guitarra pode pender a um lado ou outro. Em configurações com drives mais cheios, os graves podem aparecer um pouco demais dando aquela sensação conhecida como "boomy", mas nada que uma regulagem na EQ do amp não resolva.

BlackStrat - Lendária

Gravei 2 samples com a minha Strato de ASH + Maple e o Custom SSL-5 pra vocês ouvirem. Notem o clean como o agudo soa mais comprimido e os médios pulam no ataque e preenchem a lacuna que fica meio oca nos singles de sonoridade mais vintage. No final ~e possivel ouvir os graves mais firmes também.

Clean:



Crunch:

Tuesday, November 29, 2011

Mais sobre capacitores de Tone!


Estava preparando um post sobre uma comparação de dois singles para ponte se Strato (será o próximo), mas não aguentei e tive que postar esse antes.

Há uma grande variedade de modelos e valores que podem ser utilizados para o circuito de tonalidade de guitarras. O meu grande amigo Paulo May fez um excelente post sobre as variantes dos capacitores e sua influência no timbre, mas eu queria mesmo compartilhar algo que li por acaso...

Sempre entro no site da revista americana Premier Guitar para ver os excelentes vídeos de review de equipamento que eles fazem com as estrelas. No meio do vídeo do James Valentine do Maroon5, vi um link sobre capacitores para Strato e cliquei para ver se tinha algo interessante e/ou diferente. O artigo era dividido em 4 partes, e nas duas primeiras era mais do mesmo, porém na terceira parte, o autor Dirk Wacker (do site www.singlecoil.com ), conta uma situação que passou com um cliente que havia levado uma Fender Strato 62 reclamando que o som estava estranho, e que suspeitava que eram os captadores. Resumindo bastante a estória, quando empunhou a guitarra, logo notou as características ressonantes e vivas de uma excelente strato mesmo desplugada, porém quando ligou o Bassman 59 ela soava "normalzinha" .

Intrigado começou a investigar peça a peça chegando a substituir o escudo original com um novo com elétrica nova e captadores Fender 57/62 os quais segundo Dirk, estava soando divinos na guitarra. Não acreditando que o problema eram com aqueles maravilhosos captadores originais da 62, desmontou todo a elétrica e foi testanto e montando um a um dos componentes que pareciam estar todos OK. Quando retornou o escudo original à guitarra, ela "acordou" e agora soava vibrante e ressonante, muito diferente de quando chegara a sua oficina. Como não havia substituído nenhum componente original, começou a analisar o que poderia ter possivelmente causado a melhora, e analisando as fotos do antes e depois, concluiu que a única diferença era a orientação da ligação do capacitor, no caso um Orange Drop que antes estava com a escrita para baixo, agora estava para cima. O que na teoria não deveria fazer diferença, na prática provou-se o contrário.

O Artigo completo pode ser lido (em inglês) nos links Parte 3 e Parte 4 .


Não vou entrar nas explicações técnicas e teóricas do por quê isso ocorre, mas a orientação deveria importar somente em capacitores polarizados como os eletrolíticos , tântalo e etc, mas não num Orange Drop. Notem que ele não possue nenhum indicação de + ou -.




Bom, mas ao que interessa, o Júnior aqui resolveu verificar essa história a limpo e fazer os testes. É sabido que os valores e tipos influem no timbre, mas será que a orientação da ligação de um capacitor não polarizado como o Orange Drop também?

Buscando tal resposta, gravei um lick simples com a minha Strato nas 5 posições da chave com um Orange Drop de .047 ligado nas duas posições e comparei os resultados. A resposta pra minha surpresa foi SIM, existe diferença!

Sample 1:



Sample 2:



Parece que quando ligado da maneira "correta", o timbre ganha vida e os chamados "overtones" pulam pra fora da guitarra de maneira mais orgânica e viva. É difícil explicar, mas parece que a guitarra fala mais ao toque. Quando ligado da maneira "errada", o timbre fica meio opaco. O DNA está todo ali, só que ligado de uma certa maneira, o timbre fica melhor e mais agradável. Ouvinod na frente do amp com volume fica ainda mais evidente.

O Dirk ressalta que não tem como saber de antemão qual a direção correta do capacitor para ligar, e que mesmo o fabricante não garante que é com a escrita pra cima ou pra baixo. Só testando pra saber e ouvir qual soa melhor. Mais uma peça no quebra cabeça do timbre!

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PS: a gravação foi feita usando o Amplitube 3.5 na simulação American Clean 1 (Fender) com os controles de EQ todos no 5. A guitarra foi a minha JRCaster de Alder com braço de Maple e escala em rosewood. Vou fazer um post da construção dela em breve !:-)

Saturday, September 24, 2011

Fender Texas Specials JR Mod




Famosos pela promessa de entregar o timbre de Stevie Ray Vaughan (not really... mas..) , os Texas Specials são extremamente populares pelos strateiros de plantão e prometem dar a dose certa de ganho e sustain sem perder características de um bom SingleCoil, o famoso timbre rasgado definido pela Fender como TexasCrunch. Bla bla bla de marketing a parte, comprei os meus junto com a minha primeira Strato que vinha com os TexMex comentados no post anterior.

Eles realmente entregam o que prometem. O som é forte e presente, com médios mais "cheios" que os que normalmente esperaríamos de um single vintage, graves mais profundos e não tão percussivos e os agudos cortantes garantem o som rasgado tanto falado pela sua fabricante. No entanto, quanto mais eu conhecia sobre timbres e pesquisava sobre strato percebi que o timbre clássico e percussivo de Strato vem de captadores bem mais fracos e que o TexasSpecials na verdade era um single modernoso concebido para manter definição e corte com Drive (os agudos e médios cortantes dele garantem isso) mas não uma recriação dos singles clássicos, tanto que dexei-os de lado por um bom tempo aqui em casa sem uso.

Um dos melhores timbres de strato da atualidade pra mim é o John Mayer e sempre pesquiso sobre o equipo dele e como ele tira aquele som. Preciso articulado, extremamente limpo e detalhado com graves bem profundos e agudos na medida sem nada de sibilância, drive polido e dinâmico, enfim.... Parte do som vem dos famosos captadores Fender BigDippers que equipam a Fender John Mayer, alem é claro dos amps (TwoRock, Dumble e Fenders) e da mão e pesauisando sobre esses bichinhos, descobri que eles eram feitos de fio Plain Enamel 42 AWG, com o captador do braço com resistência perto de 5.8k. Lembrei na hora dos meus Texas, também de Plain Enamel mas que tinha resistência de 6.2k... Nessa hora veio uma lampadinha na minha cabeça, será que se eu remover algumas voltas e deixa-lo mais fraco chegarei perto dos BigDippers? Só havia um jeito de descobrir...

Uma observação, os BigDippers não são vendidos separadamente pela Fender. Só se poder colocar a mão em um set se comprar a Fender John Mayer Signature, ou alguem vendendo separados pelo Ebay. Como o hype deles é enorme, o set em média chega a custar US$ 600,00 então compra um set estava fora de questão por enquanto.

Peguei os meus Texas e comecei o trabalho, retire a solda do fio no final da bobina para comecar a remover voltas. É importante tomar cuidado pra não danificar o fio do início da bobina, uma vez que se ele arrebentar é impossível desenrolar para re-fazer a solda. Notem a cor característica do Plain Enamel.


O desenrolar deve ser feito com calma e devegar para que o fio não arrebente, pois a parafina presente gruda os fios uns nos outros e pode dificultar o processo um pouco. Durante o processo eu arrebentei o fio e quase perdi o pickup pois não conseguia achar a ponta novamente. Foi um sufoco, mas no final deu tudo certo. O que se pode fazer é com um secador, derreter um pouco a parafina para facilitar o processo.

A questão seguinte era quantas voltas remover para chegar no 5.8k que eu queria? A regra padrão é de 100 voltas par 0.1k mais ou menos num fio 42 AWG, então calculei umas 300 voltas pra ficar no lado seguro e mãos a obra. Para testar enrolava o fio no lead do captador, soldava e media com o multímetro.




300 voltas depois, medi e o resultado foi 5.76k. Pensei, droga passou um pouco, mas por quê? Troquei alguns e-mails com o Sergio e cheguei a conclusão que o fio do Texas podia ser 43AWG o que explicaria a maior resistência. Montei o captador e repeti o mesmo processo com o captador do meio sem mexer no da ponte, já que eu queria um cap mais forte na ponte de qualquer maneira.


O processo de montagem não é tão simples quanto parece. Estamos trabalhando com fios da expessura de um fio de cabelo e manusea-los pode ser um desafio.

Passando o fio algumas voltas pelo anel metálico. É importante remover a solda com um sugador para remover os resíduos e que a nova solda seja limpa e de qualidade.





Depois de algumas voltas no "Ring", raspei um pouco com um estilete para remover o isolamente de enamel. Diferente do Polysol, ele não derrete tão facilmente somente com o calor da solda.





Fazendo a solda, temos que ter certeza que é uma solda limpa e brilhante.

Processo finalizado.....

Vamos a parte principal... O SOM!!!

Instalei os Texas Jr Mod na minha Zaganin Strato, afinei e esse foi o resultado:



Bom, não ficaram exatamente como os BigDippers, mas com certeza removeram o que eu não gostava nos Texas. O graves ficaram mais compactos, os médios menos presentes e sem embolar como nos originais, e os agudos arredonadarm perdendo a característica de "ice pick" que eles tinham antes.

O que vc's acharam?

Abraço!
Junior

PS: Amp Egnater Renegade canal Clean, ligado numa caixa com falante Eminence FS-12. Com capturado diretamente da camera.

Wednesday, September 7, 2011

Fender TexMex e SergioRosar RockSurf 43


Voltando ao assunto de captadores, resolvi dividir com vocês a primeira comparação que fiz entre modelos de caps. Foi com esses dois que eu realmente percebi o quanto gostava de explorar timbres e foi quando toda essa coisa de eu gostar e pesquisar captadores e timbres mais a fundo começou de verdade. Achei pertinente o post duplo a título de comparação, haja vista que ambos os modelos são alternativas de singles mais "fortes" e presentes que os clássicos vintage.

A Strato foi a prineira guitarra clássica que eu toquei e foi a que me fez abandonar minha Ibanez RG e deixar de ser fritador e singles foram um dos meus primeiros alvos de pesquisa "internética". Quando comprei minha primeira Strato, uma Fender American Standard 2008 lá nos EUA, era um modelo HSS (humbucker -Single -Single) e tinha 2 singles TexMex e um Fender DiamondBack Humbucker. Eu não me conformava que eu finalmente tinha uma Fender Americana nas mãos e ela não soava nada parecido com os sons percussivos que eu ouvia dos Strateiros famosos. Cade o "pop" dos bordões? Cade aquele ataque bonito com detalhe de agudos? Começava minha caçada pelos "por quês" do mundo das 6 cordas.


O Fender TexMex é o modelo idealizado pelo Blueseiro Jimmy Vaughan e é uma das leituras da Fender para o chamado Texas Blues, com um timbre quente, gordo e forte sem perder características clássicas de um single coil. Na prática o Tex Mex é exatamente isso, um single gordo e parrudo com médios e graves bem presentes sem chegar a ser de alta potência. Com drive ele fala legal e empurra muito bem o amp, com um som mais forte que um single clássico. Todo esse foco e sem gordo e forte, tira um tanto do detalhe de agudos e do "ar" no timbre limpo. A percussividade e ataque dos bordões também podem embolar um pouco e perder definição em relação aos pickups de saída mais baixa. A velha regra de que quanto mais potência, mais médios e graves porém menos agudos e "ar" também se aplica nesse caso. Resultado, se você procura timbres mais gordos e redondos de single para sua Strato falar mais com drive leves e moderados, o TexMex te fará uma pessoa muito feliz, mas pro meu gosto não tem a percussividade e profundidade de graves e o detalhe de agudos que eu estava procurando e que tanto gosto.



Minha primeira tentativa foram pelos Fender Custom Shop Texas Specials, mas ainda não estavam me dando AQUELE som que eu queria (isso fica pra outro post...). Nessa época eu já havia experimentado um set de HeartBreakers do Sérgio Rosar na minha LesPaul com ótimos resultados e o Tom Castelli já havia me dito da qualidade da sua linha de singles. Fiquei curioso e depois de uma troca de e-mails com o próprio Sergio, comprei um par (Neck/Middle) de RockSurf 43.

Segundo o site, o RockSurf 43 é a leitura do Sergio para reproduzir o som da SurfMusic dos anos 60 com boa definição, percussividade e ataque de médios. Pensei, percussão e definição? Opa é aqui mesmo que eu quero! Quando chegaram, instalei e realmente parece que havia tirado um cobertor da minha guitarra. O RockSurf 43 cumpre o que promete, os graves são mais enxutos e não embolam tanto garantindo a percussividade, e a linha de médios é mais focada e colocada numa região mais alta da EQ, garantindo a definição, clareza e ar ao pickup. Comparado a um single clássico ele é mais forte e presente, e eu diria que o timbre é mais NA CARA e bate no amp com mais força. Isso se deve em parte ao fio 43 AWG (mais fino que o 42AWG usado nos Fenders Clássicos, portanto permitindo mais voltas na bobina) , dando uma maior resistência DC , aumentando a indutância(3.2H contra 2.4H dos singles vintage) e consequentemente a potência geral do captador. Essa presença e ataque ficam tão evidentes no captador da ponte que o som chega a lembrar o de uma Tele com um quase twang, dadas as devidas proporções. De novo, como nos TexMex, toda essa potência extra e ataque de médios causa um leve perda no detalhe de agudos. Isso pode ser exatamente o que vc procura pra amaciar aquela sua Strato aguda, ou simplesmente por gostar de um timbre menos gritante, com mais ataque e definição com drive. Ele ainda respira mais e retem mais o DNA single coil na minha opinião que o TexMex, mas em relação ao single clássico é menos cristalino e com um pouco menos de dinâmica.
Resultado, se você que amaciar aquela sua strato vidrenta, ou simplesmente deixa-la um pouco mais marrenta o Rock Surf 43 com certeza te fará uma criança feliz e ainda vai ter a percussividade e ataque dos Singles, com menos cristalinidade.



Os RockSurf 43 ficaram na minha Strato um bom tempo pois casavam muito bem com a potência do Humbucker na ponte, me davam a clareza extra e percussividade que eu queria em relação aos TexMex. Só troquei-os bem mais tarde quando trasformei minha Fender de HSS em SSS, a configuração clássica.

Qual o melhor? Depende muito do gosto pessoal e propósito do guitarrista. Para aquilo que eu queria na época especificamente gostei mais dos RockSurf 43.

OBS: Ambas as demos foram gravas com uma Fender Am Std 2008 com corpo de Alder e escala de Maple, pots de 250k e capacitores PIO de 0.047nf .

Abraço!

Junior

Thursday, September 1, 2011

PRS SE One..... Junior MOD

Nessa retomada, gostaria de dividir uma guitarra que passou de "quase a venda" para "xodo" depois de umas modificações que fiz com o auxílio do meu amigo e excelente luthier Tom Castelli.

A jornada foi longa mas de muito aprendizado.

Comprei essa guitarra por culpa do Paulo May mais precisamente, quando ele postou no fórum Guitar Player que ela estava sendo vendida em uma loja on-line pela bagatela de R$1300,00 reais. Olhei uns videos no U2B gostei e como estava afim de experimentar P-90s comprei a bichinha. Ela vem assim:




















Corpo e braço de mógno ( já chegaremos lá...) a já conhecida qualidade PRS, moon inlays, ponte wraparound Mccarty style, etc etc etc.. Basicamente uma LesPaul Junior com pinta de PRS.

O primeiro "problema" que eu notei foi que ela soava extremamente aguda mesmo em comparação com outras guitarras mas achei que era falta de costume dos meus ouvidos com os sons do P90. Segundo que as tarrachas dela não estavam segurando nada, especialmente na corda G onde qualquer bend desafinava horrores. Esse problema foi resolvido com um jogo de Gotoh dos mais simples que custaram R$110,00.


Tentei diversas vezes ensaiar com ela, tocar e ainda achava aguda demais então comecei a pesquisar sobre P-90 e os fateres na construção das LesPaul Junior. Por que raios estava tão aguda? Na minha primeira visita a cara do Paulo, toquei na Aria dele com P-90s da Kent Armtrong (já publicada no blog dele) e não havia nada de estridencia. Encontrei um timbre super equilibrado e bonito como eu havia imaginado quie os P-90 seriam. Pensei que havia matado a charada, é o captador. Comprei os tais Kent Armstrong P-90 e vim pra casa achando que havia resolvido o problema. Quando abri a cavidade de controles, notei 1 único pot de volume com um capacitor entre os polos vivos, o famoso "Trebble Bleed". Na troca do captador, retirei o capacitor (foi aqui que desacreditei desse sistema) e troquei o captador pelo Kent Armstrong, liguei tudo novamente afinei a guitarra pensando que havia resolvido o probelma e toquei 2 notas. O som tinha melhorado uns 40%, mas ainda estava agudo e meio magro.

Ainda não havia desistido dela, e resolvi instalar um pot de Tone com um resistor escondido no escudo. A idéia era tentar "filtrar" um pouco dos agudos e talvez fosse exatamente a frequência que eu queria. O tone abafou um pouco mais o som, mas ainda não havia tirado as frequências. Próxima alternativa da lista, seria instalar um pot de 250K. Na minha cabeça ia amenizar os agudos e encorpar os médios como acontece em Stratos com Humbucker na ponte e pots de 250. Amenizou os agudos, mas deixou o captador com um som xoxo e mole, sem vida, sem punch e "crunch" de um bom P90.

Já havia desistido da guitarra e colocado ela a venda numa loja por não conseguir contornar os malditos agudos, até que testei as novas LesPaul Classic Tribute 60 e escutei o som de P90 que eu sempre quis ouvir. Fiquei maluco e quase comprei a guitarra sem nem pensar (Controle de GAS precisou ser FORTE nesse dia, especialmente por que um lojsita amigo meu havia feito um preço MUITO bom). Voltei pra casa decidido a achar o por que da minha PRS não ter um som nem parecido com aquele da Classic 60 (levando claro em conta a contrução, madeiras etc etc), e descobri que além dos caps P90 Gibson, ela tinha pots de 300K no volume com tone de 500k. Como um amigo vindo dos EUA me perguntou se eu não tinha nenhuma encomenda, pedi 2 P90 Gibson e pots Gibson de 500K pra equipar minha LesPaul, que tinha vindo com Pots de 300k.
















Assim que ele chegou instalei o P90 Gibson na ponte, mandei os Potenciômetros de 500k originais para os novos de 300K e um tone de 500k , ligados no esquema 50s Wiring e capacitor PIO de .022uf e pluguei. UFA, o som estava lá... O mesmo DNA sonoro que eu havia escutado na Classic 60, estava agora na minha PRS, toda a dinâmica e agressividade, twang e crunch dos P90 estava la.

Faltava o cap do braço ainda! Liguei pro Tom e com a ajuda de alguns gabaritos e uma tupia fizemos o serviço. Cap do braço instalado, tudo montado e voi-la! O som estava lá novamente, mais focado que o da Classic 60, pelo corpo sólido e mais fino da PRS (A Classic 60 é SUPER-Chambered como as BFG) mas mantidas as propriedades que eu tanto procurava no P90. Seguem as fotos do processo:

Pré-operatório, definindo o lugar exato do cap do braço. Queria ele colado no braço como na LesPaul:


Definido o lugar, fixando o gabarito e cavando:






Buraco feito. Apresento-lhes o famoso mógno africano! Bem diferente do Hondurenho marronzinho claro que estamos acostumados a ver na Gibson. Mas tudo bem, passa, pelo menos o braço é Long-tenon! :P



Como não havia espaço na cavidade de controles para uma chave na posição que eu gostaria, resolvemos coloca-la como em uma LesPaul mesmo.



Feitos os buracos todos nescessários, vim pra casa montar a bichinha e dar uma regulada geral pra ouvir o som.

O resultado não podia ter sido melhor tanto estética, quanto sonoramente!



Eu sempre gostei dessa guita desde o dia que ela chegou aqui em casa. Adorava a pegada, o braço a ressonância acústica e sempre tinha uma frustração de não conseguir fazer ela soar do jeito que eu queria. Deu trabalho, mas consegui! Não só "ressucitei" uma guitarra, como ganhei uma ótima opção de timbres de P90 clássicos.

Vou tentar gravar uns bites com eles pra vocês ouvirem e posto em breve!

Abraço!
Junior

Monday, August 29, 2011

Voltando....

Esses acabaram de chegar... :)
Depois de um longo inverno completei meu MBA e acho que agora consigo colocar o blog pra funcionar do jeito que deveria!

Aguardem novidades!


Sunday, March 27, 2011

Seymour Duncan Live Wire Dave Mustaine



Nesse post de inauguração do JrGuitarBlog vou começar por um tema que é muito controverso e cheio de preconceitos entre os guitarristas, incluindo este que vos escreve!

Eu nunca fui com a cara dos Ativos mesmo tendo-os testado somente em guitarras dos outros e por pouco tempo. Sempre pensei, não toco Ultra-Metal e nem uso afinações drop e nem sou tão fã do estilo/som do Zakk Wylde, logo não preciso de um set dos famosos EMG 81/85, apesar se sempre ter curiosidade de utiliza-los pra valer pra ver qual era a grande sacada além do super alto ganho , ruído 0 e baixa impedância do sinal.

Pesquisa daqui, leio dali, instalo EMGs pra um amigo, pra outro, ouço em outras guitarras, eis que certa vez o Tom Castelli comentou que instalou os Duncan Blackouts numa guitarra do Andre Hernandez subsituindo EMGs com o seguinte comentário: “O André preferiu os BlackOuts pois ele disse que o som é como se fosse uma Gibson com muita saída! Não tem som de EMG sintético”. Aquilo colocou uma pulga atrás da minha orelha, até que eu li no blog Zona do Humbucker do Rafael Gomes uma review do DaveMustaine LiveWire Set. Quem conhece um pouco sabe que o Mustaine sempre usou o par Jb/Jazz pra gerar os timbres do Megadeth e o que a Seymour prometia era que esse set era exatamente isso, versões do ativas dos famosos JB/Jazz. O Rafael ainda comenta que os picos de ressonância não casam e que o discurso da Seymour não era exatamente verdade, mas observou que gostou dos pickups pois eles não soam artificiais ou sintéticos como os EMG, associando-os inclusive aos timbres do JeffBeck do album “Blow by Blow”. Como assim? Eu precisava testar esses pickups e a oportunidade apareceu no ultimo sabado, graças ao meu amigo Tom, quando pude instalar um set na minha Epiphone BullsEye ( apesar de não ser fã do estilo/timbre do Zakk adoro o visual dessa guitarra).

Vamos ao que interessa, SOM! O Rafael faz uma ressalva na sua review, onde diz que não recomenda a instalação desse set em uma guitarra grave como uma LesPaul devido ao tipo do timbre gerado. A minha BullsEye timbra mais grave e com menos agudos que as Standard em geral e sofri pra achar uma captação do estilo que eu gosto pra equilibrar com ela, e apesar de ir contra, não tive como resistir a instalar os LiveWire. Essa guitarra PEDE por ativos e o visual fica simplesmente matador. Pena meu cartão da câmera ter derretido com as fotos que eu tire.. Oh well..

Usando a fiação original como manda o manual com pots de 100K e capacitores de .1k o timbre ficou HORRIVELMENTE ABAFADO. Pensei comigo, não pode ser tão grave assim, e fui persquisar a respeito, descobrindo um usuario do Forum da Seymour que usou por acidente pots de 1 mg e disse ter tido bons resultados e foi ai a minha primeira surpresa com eles. Os Mustaine se comportam como os passivos até em relação aos potenciômetros e capacitores, com valores maiores , os agudos tornan-se mais aparentes e o som menos abafado e sofre real influência do valor dos capacitores. Nem preciso dizer que experimentei várias opções(e foram muitas mesmo, mas sou brasileiro e não desisto nunca!!! ) ate chegar a utilizar pots de 250k no cap da ponte e 500k pro braço ambos com capacitores de .022.

Com essa configuração de parte elétrica eles apareceram e eu pude confirmar tudo o que o Rafael Gomes tinha comentado na sua review, que não vou repetir aqui, mas a Zakk começou a falar muito, com um timbre super orgânico e definido com ALTISSIMO ganho. Os graves de não embolam e são MUITO mais bonitos que no próprio JB, com uma linha de médios e agudos redonda que faz você tocar com MUITA VONTADE no mínimo. O som do captaodr do braço não é tão interessante quanto o da ponte sendo mais seco e direto ao ponto. Funcionam MUITO bem com ganho, com muita definição nas notas pra passagens mais "fritadas" e o timbre no geral é melhor que o dos EMG.

No Metal ele fala MUITO, mas me surpreendeu que você não precisa ter o drive no 14 pra poder tirar o máximo deles. Riffs de HardRock ficam extremamente parrudos e polidos, então resolvi gravar uns bites pra vc’s ouvirem nessa estréia do JR Guitar Blog.Sons limpos não condizem com esses monstrinhos, mas eles foram desenvolvidos pelo líder do Megadeath e não do "Megapop"......


DEMOS:


Crunch de "Good Times Bad Times" do LedZeppeling.


Duncan Mustaine - Good Times Bad Times


O HardRock do Whitesnake com "Fool for your loving".


Duncan Mustaine - Fool for Your Loving

O Metal de CrazyTrain!


Duncan Mustaine Crazy Train

OS SeymourDuncan Dave Mustaine LiveWire são sem dúvida uma EXCELENTE opção para quem quer a potência e benefícios dos ativos sem deixar de lado o TIMBRE orgânico dos passivos. Do Rock ao METAL Extremo eles seguram muito bem a onda em quaiquer doses de ganho.