Thursday, May 17, 2012

Pontes, cordais, saddles e timbre - Parte 1

Durante meus inúmeros experimentos de captadores buscandos os timbres que tenho na minha cabeça, por muitas vezes me sentia em um beco sem saída em que eu já havia tentado de tudo (ou quase tudo) na parte elétrica da guitarra e não conseguia chegar no timbre que eu queria! E olha que eu sou insistente! De repente parece que aquela porta trancada no fundo do beco se abria e a lovoiura estava salva quando colocava uma ponte diferente. Parece que a guitarra toda era outra e aquele som que eu queria tanto, aparecia com todas as suas nuances. Pode parecer exagero, mas em alguns casos a diferença é bem brutal, em outros é só aquele pelinho, uma presença extra, um pouco mais de grave, uma ênfase nos médios que podem ser a diferença êntre você gostar muito de  um instrumento ou ele se tornar simplesmente mais um.

Desde que eu apanhei (e muito, mas conto melhor em outro post) de uma tele e descobri a complexidade e variantes do assunto, estou para escrever sobre esses pedacinhos de metal que equipam nossas guitarras. A unidade da ponte (com seus componentes) são um dos principais pontos de transmissão da vibração das cordas para o corpo e por incrível que pareça o material utilizado na sua construção tem grande peso na equação que resulta o timbre final de um instrumento. Pode-se utilizar a grande variedade disponível no mercado para realmente "tunar" de maneira bem precisa o resultado final.

 Nesse post vamos falar de um item que é um acessório das pontes modelo Tune-o-Matic introduzidas em 1955 pela Gibson nos seus primeiros modelos com Humbuckers, o chamado "cordal" ou Stop-Tailpiece que é nada mais que a peça que segura as cordas numa LesPaul. Mas isso influi no timbre? É o que vamos ver!
A ponte ABR-1 ou Tune-o-Matic foi uma revolução no mundo guitarristico em meados dos anos 50 pois substituia a ponte WrapAround (veja imagem abaixo) permitindo o ajuste fino da intonação das oitavas do instrumento, coisa impossível no modelo anterior. No novo modelo, essa ponte passou a servir de apoio ou base para segurar as cordas, que são apoiadas numa segunda unidade para depois seguir para a escala, mas mesmo assim tem um importante papel na sonoridade e estabilidade do conjunto.
              

Uma vez que o crodal não fica exatamente entre a ponte e o nut, que é onde a maior parte das vibrações da corda acontece, seria lógico pensarmos que ele não influi no timbre de maneira significante, e não tem GRANDE diferença mesmo, mas ela existe.

Nas primeiras LesPaul essa peça era fabricada de Alumínio, um materia de boa rigidez mecânica e extremo baixo peso mas que era de difícil produção em larga escala, por exigir ajustes manuais das arestas depois que saia da usinagem, encarecendo o processo para a Gibson. Atualmente os cordais da Gibson USA de produção são feitos de ZINCO, um material de fácil manipulação industrial e boa resistência mecânica que segurava as cordas tanto quanto o alumínio mas que tem propriedades diferentes, sendo mais pesado e duro. Vale nota que todas as Re-edições da Gibson Custom Shop das guitarras dos anos 50-60 vem com cordal de alumínio.

Mas qual a diferença no timbre então? Simples e direto, a guitarra com cordal de Alumínio gera um timbre acústico mais aberto, com mais presença de agudos e mais "ar" acústicamente. O cordal de ZINCO possui um timbre de alguma forma mais fechado, com menos agudos acusticamente. Parte dessas característica é sim captada pelos captadores, mas é importante ressaltar que os captadores de baixo ganho são os que mais perceberão as diferenças e um monstrinho de alto ganho provavelmente passará batido.

Não tenho exata certeza do por quê isso acontece, mas acho que as cordas fazem o conjunto todo da ponte ABR-1 + cordal vibrar junto com o corpo, e por isso influencia no som. É bom salientas também que existem muitas qualidades de ZINCO. Notei diferenças no ataque e no timbre de um cordal original de Epiphone ao substituí-lo por um também de ZINCO da GOTOH que era mais pesado e bem acabado. A ponte também foi trocada e o conjunto todo ficou muito melhor. A diferença de precisão do timbre, rapidez da resposta no ataque tudo melhorou.

O Paulo May do blog Louco por Guitarra já havia me alertado sobre as diferenças do cordal e disse que preferiu o de ZINCO na sua Gibson LesPaul Standard 1981 por achar que o som do Alumínio ficou meio magro. Na minha Gibson LesPaul Traditional eu gostei do som do Alumínio e deixei assim, mas uso o de Zinco na minha Epiphone JoePerry e na minha Gibson Tribute 50.

Qual o melhor? Você quem decide! rsrs! Se você acha que sua LesPaul soa grave demais e precisa de um pouco mais de ar no timbre esse pode ser um upgrade que você pode experimentar. Deixe seus ouvidos decidirem!

 O Paulo havia me enviado umas gravações que ele fez com a guitarra dele, mas achei esse vídeo com demosntrações das duas opções no YouTube e ele traduz de maneira um pouco mais clara as diferenças dos dois. Notem a maior abrangência de frequências do Alumínio especialmente no Clean!! No ganho um pouco mais alto elas vão diminuindo bastante. É exatamente o que eu ouço aqui!


Como eu disse anteriormente, conhecer essas variáveis que podem parecer mínimas as vezes podem ser a diferença entre você chegar no timbre que tanto procuramos. Pelo menos experimentar é bastante divertido!!

Saturday, February 25, 2012

Lindy Fralin Blues Specials e Sergio Rosar Blues


Algum tempo depois de começar a estudar a compreender sonoridades, testar captadores e guitarras virou um vício difícil de controlar e a pesquisa por diferentes designs e técnicas de construção afim de obter-se um som específico não tem fim. Isso já me levou a testar quase toda a linha da Seymour Duncan, uma grande parte dos DiMarzio, todos os modelos (lançados e não ) do Sérgio Rosar, todos os singles da Fender, etc. Com o tempo essa coisa toda vira uma espécie de biblioteca sonora, e que ajuda muito na hora de alcançar um certo timbre.

Pois bem, eis que em uma das minhas caminhadas pelas lojas de música de Curitiba, revendo amigos e batendo papo vi em uma vitrine um set de singles com capinha "Old White". Quando perguntei ao Carlos (Loja do Músico) o que era ele me disse que era um set de Lindy Fralins Blues Specials.

Abrindo um parênteses, Lindy Fralin é um dos mais renomados Pickup Winders dos Estados Unidos e é extremamente famoso pelos seus singles, tanto para Strato como para Tele. Vale a pena dar uma conferida no site www.fralinpickups.com , onde ele tem videos e especificações de seus modelos.

Os Blues Specials estão entre os modelos mais famosos de Lindy Fralin, conhecidos pela sua clareza sonora, complexidade harmônica e timbre mais "gordo", que o próprio Fralin define como ideal para solistas melódicos. Não é a toa que esse set leva esse nome. Como eu nunca havia testado um set do Lindy, e não se acha esses pickups por aqui, num acesso de G.A.S. comprei os bichos.

Chegando em casa, maluco para escutar o que eles realmente falavam ( e verificar se são mesmo tudo aquilo que os Forums gringos clamam) tirei-os da caixa de instale-os na minha Strato de ASH com braço e escala de Maple, onde estava um set de Sergio Rosar Blues. O Blues Specials é feito com magnetos de Alnico V, e fio Plain Enamel 42AWG tenho perto de 6k nos caps do braço e meio e quase 7k na ponte. Essas especificações são características da famosa era 60s da Fender, especialmente pré-CBS até 63, com aquele som característicamente mais "gordo" e com mais ataque e estalo que as dos anos 50. Se você pensou em Stevie Ray Vaughan você acertou em cheio. Sua Number #1 mais famosa, era uma Strato 62.



O fio Plain Enamel, possui características muito peculiares de condução e capacitância do isolamento que interferem diretamente na sonoridade do captador. Técnicamente é um fio "inferior" aos modernos fios esmaltados, e é justamente essas falhas que fazem ele ter essa característica tão peculiar. É facilmente identificado pela colocação mais escura, meio marrom e as vezes avermelhada:






Instalados, guitarra afinada pluguei no meu amp e toquei as primeiras notas. O som era mais ou menos o esperado das especificações, um timbre focado, com ataque bem definido e amplo, graves firmes um pouco menos de agudos e mais força que um single tradicional como o Seymour SSL-1 por exemplo. Em comparação ao Texas Specials (famoso por vir na Fender SRV) ele soa bem mais claro e articulado, com menos informação de graves e um pouco mais de agudos que dão ao som uma compressão muito bonita e agradável. Com drive ele mostra sua cara MUITO bem, com muita definição e sem quase nenhuma magreza que alguns singles tradicionais como o 57/62 as vezes podem apresentar, e de novo remetem ao bom e velho SRV (especialmente se usarmos um Tube Screamer para isso). Nada de timbres cristalinos de Fender por aqui, eu diria que eles são sinônimo de timbres gordos de Strato, com corpo mas mantendo toda definição dinâmica e articulação tão essenciais para os Strateiros de plantão.

Gravei a introdução de Texas Flood rapidamente pra vcs poderem ouvir o que eu escrevi:




Tudo isso já era esperado e batia com o que eu havia lido em todas as reviews deles em Forums etc. O que eu não esperava era que eles soassem TÃO PRÓXIMOS ao set Blues do nosso mestre Sergio Rosar que estavam na mesma guitarra. Pra falar a verdade, só saberia diferenciar mesmo pois eu mesmo havia trocado os captadores, tanto que gravei exatamente a mesma frase na mesma guitarra com o Rosar Blues pra ouvir A/B e tirar a prova:






Abrindo mais um parenteses, o Blues (Assim como a maioria dos pickups Rosar) tem construção moderna e completamente diferente do Blues Specials especificamente, usando fio Polysol modernos que são o estado da arte em termos técnicos. Geram baixíssima capacitância e alta conductividade características que tem pouca perda de sinal ao longo da bobina, mas que em termos de som pode significar mais agudos e um som mais Hi-Fi. Se esses fatotres não forem levados em conta na confecção dos pickups a fim de serem tratados corretamente podem resultar em um som agudo e "harsh". Sorte nossa que o Sérgio é extremamente perfeccionista, e conhece muito bem o material com que trabalha sabendo lidar com ele para obter o máximo possível.











As diferenças são muito pequenas. O Rosar tem ainda mais força e poder de fogo, com um pouco mais de informação de médio-graves que o Fralin ainda retendo toda a clareza e definição. As pontas da EQ Blues são um pentelho mais amplas também, ou eja, graves e agudos um pouco mais arejados (olha o DNA Rosar aí..), que equilibram com a força maior do Blues.

Conclusão:

Não consegui ouvir nada nos tão aclamados Fralins que fosse estupidamente superior aos nossos Rosar e falo sem a menor sombra de dúvidas que estão no mesmo nível de sonoridade.

Alguns podem gostar da resposta mais mansa do Blues Specials, enquanto outros vão amar a leve agressividade do Blues, mas fato é que ambos são captadores fantásticos, que cumprem o que prometem, um timbre gordo e claro com ótima definição e corpo sem embolar ou soar abafado. Absolutamente tudo o que eu comentei e observei nos Blues Specials se aplicam ao Rosar Blues.

Conhecendo o Sergio, e sabendo de sua ânsia em oferencer NADA alem do perfeito, não deveria me surpreender em constatar a excelencia de mais um de seus modelos!

Se vc é adepto de uma Strato mais gordurosa, o Sérgio Rosar Blues te fará uma criança muito feliz. Seu bolso também vai suspirar aliviado !

Wednesday, January 18, 2012

Stratocaster: Captadores de ponte.... Parte 2

O Rock Surf 43 é um captador desenvolvido pelo mestre Sérgio Rosar com o intuito de replicar a sonoridade característica da Surf Music dos anos 60 (pense no ataque de uma Jaguar) e não clonar de nenhum modelo existente.



Para desenvolver o ataque na linha de médios bem característico do estilo, o Sérgio utilizou o fio 43Awg (que é mais fino que o tradicional 42AWG), aumentou o número de espiras na bobina e deixando-a mais próxima do centro magnético, gerando um campo que favorece o ataque de médios. O resultado é uma sonoridade que mantém o bom DNA de um single de strato, mas com mais carne e força sonora. O que eu não sabia é que ele se destacaria tanto na posição de ponte, e viria a ser minha opção #1 dessa posição.
Os quase 10k de resistência DC, inductância de 4.3H (quase o dobro de um single clássico) e um pico de ressonância por volta de 4kHz (o famoso Seymour SSl-1 tem pico de 10khz), me dizem que ele tem mais potência, mais corpo e soa menos estridente que um single clássico. Em linhas mais gerais ele se assemelha com o SSL-5 mas tem um foco de ataque numa linha médio-aguda da EQ e um gaves mais compactos e em menor quantidade. Isso garante ao RockSurf 43 a definição e clareza de um single clássico sem soar estridente e ao mesmo tempo um pouco mais de corpo em situações com algum ganho. A sonoridade fica quaaasseee (eu disse quase) na linha de uma tele, justamente pela faixa de médios e ataque acentuado.

Em situações ao vivo ele fatia a banda no meio e acerta a plateia em cheio sem muito esforço, soando definido e agradável. Solos e bases rockeiras falam de maneira muito legal e até algum twang aparece caso você encarne o Frusciante numa gig.

Para fins comparativos, gravei as mesmas frases do SSL-5 do post anterior com os mesmos setups para que as diferenças sejam mais claras:

Clean:


Crunch:



Resultado: Se você quer um pouco mais de ataque de médios e corpo sonoro na posição da ponte? Equilibrar sua strato com singles de baixo ganho mantendo ao máximo a sonoridade clássica? O RockSurf 43 do Sérgio Rosar é uma excelente saída!!

Thursday, January 12, 2012

Trabalho Custom Shop...

Pessoal, vim aqui pra dividir com vocês uma guitarra verdadeiramente CustomShop. Ela faz parte de uma série de 4 guitarras encomendadas na Castelli e que quando ficam prontas são verdadeiras obras de arte...

Essa em especial é um modelo do Suhr, feita em freijó com esse acrílico espelhado no top, marcações e headstock. Os captadores são SeymourDuncan Blackouts.

Tirei 3 fotos pra tentar mostrar o apelo visual dessa bela guita! O Denílson, responsável pelas regulagens e elétrica na Castelli, que esta segurando a menina!




Saturday, January 7, 2012

Stratocaster: Captadores de ponte.....

Por muitas vezes vejo guitarristas desgostarem do som da posição da ponte de Stratos. Uns acham muito magro, outros muito agudos, outros sem grave, e assim por diante.

Eu particularmente gosto do "timbre" clássico da posição da ponte mas concordo com todos os que acham que o excesso de brilho e falta de carne pode ser uma deficiência dependendo do tipo de som que se deseja.



A solução que eu particularmente gosto é de usar um single mais parrudinho e com um pouco mais de ganho e "fio" pra dar só um Q a mais de graves e médios e trimar um pouco dos agudos
retendo grande parte do DNA clássico de strato. Existem também os montrinhos de uma bobina, de ganho tão alto e extremo que chegam a soar abafados e quase sem ataque. Tudo bem se você toca numa banda de Punk, mas não estou me referindo a esses aqui, por isso usei a expressão "mais parrudinho".

Pois bem nesta categoria existem várias opções, mas com certeza o mais famoso é o nosso amigo "Seymour Duncan Custom for Stratocaster". David Gilmour o escolheu para a sua BlackStrat lendária e o " SSL-5" ganhou o mundo como "o" captador de ponte para Strateiros que querem engordar um pouco seus instrumentos. Com 12.5k com Alnico V e fio mais fino (43 AWG provavelmente) o campo magnético desenvolve potência suficiente para gerar médios mais cheios, graves mais soltos e presentes e arredondar os agudos (pico de ressonância perto de 5Khz, metade do seu irmão SSL-1 com 10Khz) mantendo o ataque tradicional de single. Isso faz com que ele peça pra ser acionado em situações de baixo-médio ganho em bases de Blues e Rock Clássico, e puxa sua Strato pra frente do Mix de qualquer banda barulhenta. Ele fica exatamente no meio do caminho de um single vintage (Fender) e um monstrinho super bombado (Seymour Quarter Pounder) e dependendo da guitarra pode pender a um lado ou outro. Em configurações com drives mais cheios, os graves podem aparecer um pouco demais dando aquela sensação conhecida como "boomy", mas nada que uma regulagem na EQ do amp não resolva.

BlackStrat - Lendária

Gravei 2 samples com a minha Strato de ASH + Maple e o Custom SSL-5 pra vocês ouvirem. Notem o clean como o agudo soa mais comprimido e os médios pulam no ataque e preenchem a lacuna que fica meio oca nos singles de sonoridade mais vintage. No final ~e possivel ouvir os graves mais firmes também.

Clean:



Crunch:

Tuesday, November 29, 2011

Mais sobre capacitores de Tone!


Estava preparando um post sobre uma comparação de dois singles para ponte se Strato (será o próximo), mas não aguentei e tive que postar esse antes.

Há uma grande variedade de modelos e valores que podem ser utilizados para o circuito de tonalidade de guitarras. O meu grande amigo Paulo May fez um excelente post sobre as variantes dos capacitores e sua influência no timbre, mas eu queria mesmo compartilhar algo que li por acaso...

Sempre entro no site da revista americana Premier Guitar para ver os excelentes vídeos de review de equipamento que eles fazem com as estrelas. No meio do vídeo do James Valentine do Maroon5, vi um link sobre capacitores para Strato e cliquei para ver se tinha algo interessante e/ou diferente. O artigo era dividido em 4 partes, e nas duas primeiras era mais do mesmo, porém na terceira parte, o autor Dirk Wacker (do site www.singlecoil.com ), conta uma situação que passou com um cliente que havia levado uma Fender Strato 62 reclamando que o som estava estranho, e que suspeitava que eram os captadores. Resumindo bastante a estória, quando empunhou a guitarra, logo notou as características ressonantes e vivas de uma excelente strato mesmo desplugada, porém quando ligou o Bassman 59 ela soava "normalzinha" .

Intrigado começou a investigar peça a peça chegando a substituir o escudo original com um novo com elétrica nova e captadores Fender 57/62 os quais segundo Dirk, estava soando divinos na guitarra. Não acreditando que o problema eram com aqueles maravilhosos captadores originais da 62, desmontou todo a elétrica e foi testanto e montando um a um dos componentes que pareciam estar todos OK. Quando retornou o escudo original à guitarra, ela "acordou" e agora soava vibrante e ressonante, muito diferente de quando chegara a sua oficina. Como não havia substituído nenhum componente original, começou a analisar o que poderia ter possivelmente causado a melhora, e analisando as fotos do antes e depois, concluiu que a única diferença era a orientação da ligação do capacitor, no caso um Orange Drop que antes estava com a escrita para baixo, agora estava para cima. O que na teoria não deveria fazer diferença, na prática provou-se o contrário.

O Artigo completo pode ser lido (em inglês) nos links Parte 3 e Parte 4 .


Não vou entrar nas explicações técnicas e teóricas do por quê isso ocorre, mas a orientação deveria importar somente em capacitores polarizados como os eletrolíticos , tântalo e etc, mas não num Orange Drop. Notem que ele não possue nenhum indicação de + ou -.




Bom, mas ao que interessa, o Júnior aqui resolveu verificar essa história a limpo e fazer os testes. É sabido que os valores e tipos influem no timbre, mas será que a orientação da ligação de um capacitor não polarizado como o Orange Drop também?

Buscando tal resposta, gravei um lick simples com a minha Strato nas 5 posições da chave com um Orange Drop de .047 ligado nas duas posições e comparei os resultados. A resposta pra minha surpresa foi SIM, existe diferença!

Sample 1:



Sample 2:



Parece que quando ligado da maneira "correta", o timbre ganha vida e os chamados "overtones" pulam pra fora da guitarra de maneira mais orgânica e viva. É difícil explicar, mas parece que a guitarra fala mais ao toque. Quando ligado da maneira "errada", o timbre fica meio opaco. O DNA está todo ali, só que ligado de uma certa maneira, o timbre fica melhor e mais agradável. Ouvinod na frente do amp com volume fica ainda mais evidente.

O Dirk ressalta que não tem como saber de antemão qual a direção correta do capacitor para ligar, e que mesmo o fabricante não garante que é com a escrita pra cima ou pra baixo. Só testando pra saber e ouvir qual soa melhor. Mais uma peça no quebra cabeça do timbre!

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PS: a gravação foi feita usando o Amplitube 3.5 na simulação American Clean 1 (Fender) com os controles de EQ todos no 5. A guitarra foi a minha JRCaster de Alder com braço de Maple e escala em rosewood. Vou fazer um post da construção dela em breve !:-)

Saturday, September 24, 2011

Fender Texas Specials JR Mod




Famosos pela promessa de entregar o timbre de Stevie Ray Vaughan (not really... mas..) , os Texas Specials são extremamente populares pelos strateiros de plantão e prometem dar a dose certa de ganho e sustain sem perder características de um bom SingleCoil, o famoso timbre rasgado definido pela Fender como TexasCrunch. Bla bla bla de marketing a parte, comprei os meus junto com a minha primeira Strato que vinha com os TexMex comentados no post anterior.

Eles realmente entregam o que prometem. O som é forte e presente, com médios mais "cheios" que os que normalmente esperaríamos de um single vintage, graves mais profundos e não tão percussivos e os agudos cortantes garantem o som rasgado tanto falado pela sua fabricante. No entanto, quanto mais eu conhecia sobre timbres e pesquisava sobre strato percebi que o timbre clássico e percussivo de Strato vem de captadores bem mais fracos e que o TexasSpecials na verdade era um single modernoso concebido para manter definição e corte com Drive (os agudos e médios cortantes dele garantem isso) mas não uma recriação dos singles clássicos, tanto que dexei-os de lado por um bom tempo aqui em casa sem uso.

Um dos melhores timbres de strato da atualidade pra mim é o John Mayer e sempre pesquiso sobre o equipo dele e como ele tira aquele som. Preciso articulado, extremamente limpo e detalhado com graves bem profundos e agudos na medida sem nada de sibilância, drive polido e dinâmico, enfim.... Parte do som vem dos famosos captadores Fender BigDippers que equipam a Fender John Mayer, alem é claro dos amps (TwoRock, Dumble e Fenders) e da mão e pesauisando sobre esses bichinhos, descobri que eles eram feitos de fio Plain Enamel 42 AWG, com o captador do braço com resistência perto de 5.8k. Lembrei na hora dos meus Texas, também de Plain Enamel mas que tinha resistência de 6.2k... Nessa hora veio uma lampadinha na minha cabeça, será que se eu remover algumas voltas e deixa-lo mais fraco chegarei perto dos BigDippers? Só havia um jeito de descobrir...

Uma observação, os BigDippers não são vendidos separadamente pela Fender. Só se poder colocar a mão em um set se comprar a Fender John Mayer Signature, ou alguem vendendo separados pelo Ebay. Como o hype deles é enorme, o set em média chega a custar US$ 600,00 então compra um set estava fora de questão por enquanto.

Peguei os meus Texas e comecei o trabalho, retire a solda do fio no final da bobina para comecar a remover voltas. É importante tomar cuidado pra não danificar o fio do início da bobina, uma vez que se ele arrebentar é impossível desenrolar para re-fazer a solda. Notem a cor característica do Plain Enamel.


O desenrolar deve ser feito com calma e devegar para que o fio não arrebente, pois a parafina presente gruda os fios uns nos outros e pode dificultar o processo um pouco. Durante o processo eu arrebentei o fio e quase perdi o pickup pois não conseguia achar a ponta novamente. Foi um sufoco, mas no final deu tudo certo. O que se pode fazer é com um secador, derreter um pouco a parafina para facilitar o processo.

A questão seguinte era quantas voltas remover para chegar no 5.8k que eu queria? A regra padrão é de 100 voltas par 0.1k mais ou menos num fio 42 AWG, então calculei umas 300 voltas pra ficar no lado seguro e mãos a obra. Para testar enrolava o fio no lead do captador, soldava e media com o multímetro.




300 voltas depois, medi e o resultado foi 5.76k. Pensei, droga passou um pouco, mas por quê? Troquei alguns e-mails com o Sergio e cheguei a conclusão que o fio do Texas podia ser 43AWG o que explicaria a maior resistência. Montei o captador e repeti o mesmo processo com o captador do meio sem mexer no da ponte, já que eu queria um cap mais forte na ponte de qualquer maneira.


O processo de montagem não é tão simples quanto parece. Estamos trabalhando com fios da expessura de um fio de cabelo e manusea-los pode ser um desafio.

Passando o fio algumas voltas pelo anel metálico. É importante remover a solda com um sugador para remover os resíduos e que a nova solda seja limpa e de qualidade.





Depois de algumas voltas no "Ring", raspei um pouco com um estilete para remover o isolamente de enamel. Diferente do Polysol, ele não derrete tão facilmente somente com o calor da solda.





Fazendo a solda, temos que ter certeza que é uma solda limpa e brilhante.

Processo finalizado.....

Vamos a parte principal... O SOM!!!

Instalei os Texas Jr Mod na minha Zaganin Strato, afinei e esse foi o resultado:



Bom, não ficaram exatamente como os BigDippers, mas com certeza removeram o que eu não gostava nos Texas. O graves ficaram mais compactos, os médios menos presentes e sem embolar como nos originais, e os agudos arredonadarm perdendo a característica de "ice pick" que eles tinham antes.

O que vc's acharam?

Abraço!
Junior

PS: Amp Egnater Renegade canal Clean, ligado numa caixa com falante Eminence FS-12. Com capturado diretamente da camera.